O Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo sábado (8), é uma data marcada por reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, incluindo a violência doméstica. Em Dourados, além das delegacias especializadas, como a DAM e a Sala Lilás da Depac, existem redes de apoio que oferecem orientação e assistência para aquelas que buscam ajuda em situações de relacionamento abusivo.
Nos próximos dias, o Dourados News publicará uma série de reportagens abordando os desafios enfrentados por essas mulheres, incluindo as falhas e dificuldades de algumas políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência. O objetivo é ampliar o debate sobre o tema e dar visibilidade às realidades que muitas vítimas enfrentam.
A série começa destacando as redes de apoio disponíveis com objetivo de ampliar informação e acesso a esses recursos.
Esses serviços disponibilizam suporte psicológico, jurídico e assistencial, além de encaminhamentos para medidas de proteção.
Muitas mulheres, ao se encontrarem em um contexto de violência, não procuram imediatamente a delegacia. Nesses casos, redes de apoio surgem como alternativas para acolhimento e orientação antes da formalização de uma denúncia.
Algumas dessas iniciativas se destacam no atendimento às vítimas em Dourados. O Viva Mulher, por exemplo, oferece acolhimento, apoio psicológico e orientação sobre direitos, além de encaminhamentos para serviços especializados.
Já o Instituto Mulher, uma iniciativa da sociedade civil formada por profissionais de diversas áreas, presta apoio jurídico para mulheres que buscam romper o ciclo de violência.
Além disso, o Mulher Segura, programa da Polícia Militar, atua na prevenção e no atendimento às mulheres em situação de violência, oferecendo suporte no momento da denúncia e garantindo acompanhamento nas medidas de proteção.
O Dourados News conversou com profissionais que atuam nessas redes para esclarecer como as mulheres podem buscar ajuda. Confira:
Viva Mulher
O Viva Mulher é um serviço mantido pelo município, voltado exclusivamente para mulheres vítimas de violência de gênero e doméstica.
Segundo a coordenadora do centro, Bárbara Marques Rodrigues, o atendimento é baseado em políticas nacionais de assistência social, garantindo que cada mulher receba suporte adequado de acordo com sua situação.
“O Viva Mulher oferece um atendimento especializado e continuado. Ele surgiu como um programa em 2001 e se tornou um serviço permanente, sem prazo para encerramento. Aqui, a mulher encontra apoio psicossocial, que inclui atendimento com psicólogas e assistentes sociais”, explica Bárbara.
O centro também trabalha em conjunto com outras instituições, como a Defensoria Pública, a Secretaria de Educação e a rede de saúde, garantindo direitos como vagas prioritárias em creches e suporte para inserção no mercado de trabalho.
“O Viva Mulher é um ponto de apoio essencial para mulheres que buscam reconstruir suas vidas longe da violência, com a certeza de que há apoio, compreensão e caminhos possíveis para recomeçar”, afirmou Bárbara.
As mulheres que procuram o centro podem receber uma série de atendimentos, incluindo o psicossocial, que é conduzido pela psicóloga Kelly Cristina Wengrat Lopes, especialista em violência doméstica.
No atendimento, elas são orientadas sobre a identificação dos diferentes tipos de violência, como psicológica, sexual, patrimonial e física.
O atendimento no Viva Mulher é feito sem a necessidade de encaminhamento prévio ou registro de boletim de ocorrência.
“Qualquer mulher que se reconheça em situação de violência pode procurar diretamente o centro, onde será acolhida sem julgamento e com respeito à sua autonomia”, afirmou Kelly.
“O plano de atendimento é elaborado em conjunto com a mulher. Ela tem total autonomia para decidir os próximos passos. Algumas chegam com decisões tomadas, como a separação, enquanto outras ainda estão no processo de reconhecimento da violência”, detalha a psicóloga.
O local ainda oferece suporte para articulação de serviços públicos, como o acesso à educação, saúde, e até mesmo ajuda financeira e jurídica para mulheres em risco de morte que precisam de abrigo ou então se mudarem para casas de familiares que moram em outros estados e cidades.
Localizado na Rua Hiran Pereira de Matos, 1520, no bairro Vila Mary, o centro funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 13h. O serviço também oferece orientações pelo telefone (67) 2222-1852.
Instituto Mulher
Entre as iniciativas de apoio às vítimas de violência também está o Instituto Mulher, presidido pela advogada Edna Bonelli, atual presidente da OAB em Dourados.
“O Instituto Mulher foi criado a fim de darmos continuidade aos trabalhos que fazíamos enquanto presidente da Comissão da Mulher Advogada. Foi pensando na relevância da causa e na importância de não pararmos com o trabalho que realizávamos, diga-se, não só em função da mulher advogada, mas também das mulheres em geral, é que surgiu o Instituto”, explicou Edna ao Dourados News.


